terça-feira, 8 de maio de 2012

O Misterioso Mistério do Tempo - Capítulos 1 e 2




Severo está triste com seu destino e resolve mudar de vida. E Hermione é uma intrometida. Uma aventura na idade media com romance e atos de bravura!

Gênero: Romance/ humor

Classificação: NC17

Shipper: Severo Snape / Hermione Greanger


O Misterioso Mistério do Tempo




Capítulo 1 - O MISTÉRIO MISTERIOSO DO TEMPO


Em uma clareira da floresta proibida, longe dos olhos de curiosos, a beira do lago negro, Snape respirava com dificuldade. Com olhar frio e um tanto nervoso via Lucio Malfoy, a uns dez passos de distância, apontando sua varinha para ele com um olhar cruel em seus olhos cinzentos como aço. Severo segurava apenas uma sacola em suas mãos e mantinha a varinha na manga. Um vento sinistro cruzou por eles fazendo as árvores chiarem e a água do lago ondular.

Os homens trocaram um olhar de entendimento, era chegado o momento, depois de tantos anos de guerra, depois de dois anos de paz, desde a morte do Lord das Trevas, a vida, o destino, se é que ele existe, ou somente suas vontades e ações os levaram aquele instante congelado onde as contas seriam acertadas.

O vento insistente esbofeteou o rosto loiro de Malfoy obrigando o Bruxo a passar uma mão pelo cabelo para tirá-lo dos olhos, ele precisava se concentrar para a tarefa que iria executar essa tarde, seria necessário muito poder.

Em um ponto próximo Hermione Granger caminhava pela floresta proibida, ela estava cursando o 7° ano, tinha voltado depois do fim da guerra, desde o inicio das aulas, havia sentido uma significativa mudança, Harry e Rony não estavam mais a seu lado, ambos tinham abandonado o colégio. E mesmo a nova diretora sendo sua querida Minerva, não era a mesma coisa sem ver Dumbledore discursar de seu púlpito. Muitos amigos haviam morrido, e junto com eles uma inocência que existia naquela escola e as vezes, num fim de tarde como aquele, a realidade doía e para tentar apaziguar seu coração, tinha tornado um hábito  longas caminhadas na floresta, ela passava horas as margens do lago negro, lendo ou simplesmente lembrando o passado.

Todos haviam sido afetados de uma forma ou de outra pela guerra, a Diretora Mcgonagall, por exemplo, parecia mais fechada que o costume. Todavia cada um vivia seu luto a sua maneira. O Professor Snape, Hermione achava, não tinha se perdoado por ter sobrevivido. Mesmo, depois do seu julgamento e do perdão do ministério, ele se tornara mais arredio. Em suas aulas de poções, ele havia surpreendido a todos ao preferindo esse cargo ao de Professor de DCAT, não parecia ter nenhum entusiasmo, nem mesmo para tirar pontos da Grifinoria. Mal acabavam as suas classes, o bruxo voltava correndo para seus aposentos e nunca era visto pelos corredores ou arredores.

A bruxa olhou para a ponta do lago negro que já era visível de onde ela estava, uma fragrância revigorante tomou seu nariz quando ela sentiu o cheiro de mato molhado e carvalho antigo, esse era seu perfume favorito, ela imaginava que se cheirasse amortentia sentiria exatamente esse cheiro, terra molhada e carvalho.

Respirou fundo e passou os olhos pela clareira, em uma das extremidades ela viu uma cena que esperava não ver nunca mais depois da guerra, dois homens um deles apontando a varinha para o outro desarmado, ela reconheceu Snape e Malfoy, tomada pelo pânico, sem pensar, em uma fração de segundos ela correu para ajudar o seu professor. A bruxa se aproximou rapidamente, nenhum dos dois percebeu sua chegada, pareciam presos em um transe, ela ia tirando sua varinha para azarar Lucio quando viu o feitiço saindo da varinha do bruxo loiro, sem raciocinar sobre o que estava fazendo se jogou de encontro ao professor com o intuito de desviá-lo do feitiço, pena que ela chegou um pouco tarde e o estranho feitiço já tinha formado um rodamoinho em volta de Snape, quando ela o tocou ambos foram  engolidos deixando-os totalmente envoltos por uma luz roxa. Para eles parecia que tinham entrado em um espiral que só terminou com ambos sendo lançados duramente ao chão. 


Dor. Sua cabeça doía terrivelmente, Snape levantou o rosto da grama da beira do lago lentamente, ele estava desorientado, procurou por sua sacola, notou que ela estava aos seus pés. Percebeu, no entanto que mais para perto do lago, um monte difuso de roupas estava jogado displicentemente, um casaco longo vermelho envolto em algo, franziu o senso seriamente, sua cabeça estava doendo muito para que ele conseguisse pensar com clareza, tentou sentar, suas pernas pareciam pudim, com muito esforço se arrastou de cócoras até o monte de roupas, quando se aproximou ouviu um som que ele reconheceu e o encheu de terror.

- Ai que coisa foi essa - o monte de roupas se mexeu lentamente, e dele emergiu uma cabeleira cacheada muito cheia e toda desorganizada. Uma pequena mão se embrenhou nesse cabelo e um outro gemido foi emitido.

Snape sentiu que ia desmaiar. Como que em um mundo justo, ele, depois de tanto esforço, estava vendo a Senhorita Hermione Granger? Um suspiro vindo da moça o tirou de sua onda de lamentações, ele a olhou e ela lhe deu um sorriso de volta – Professor – ela disse – Eu consegui o salvar, graças a Merlin, onde está o Malfoy, temos que avisar o ministério que ele o atacou. – A bruxa terminou a frase muito séria puxando o casaco e tentando se levantar no que ela falhou miseravelmente.

Ainda sentado no chão Severo olhou em volta para procurar Lucio, se ele estava vendo a Senhorita Granger era por que o feitiço tinha dado errado. Não viu o bruxo loiro em lugar algum, sacudiu a cabeça e falou a sua aluna ainda tentando entender.

- Senhorita, Lucio não estava me atacando, ele estava me ajudando, e como assim a senhorita me salvou, eu senti o feitiço me atingir, a senhorita fez algum contrafeitiço?

Hermione sorriu orgulhosa para ele – Não Professor, eu pulei em cima do Senhor e o derrubei no chão, acho que com isso eu... - ela interrompeu o que estava falando quando viu um homem se aproximar de ambos, ele estava vestido com um trovador medieval, e no peito usava um escudo da Grifinória, o homem olhou para eles e falou em um inglês que para ela pareceu muito formal. – Quem sois vós, e o que fazes no terreno de Hogwarts?

Um riso sardônico saiu dos lábios de Severo quando uma flecha de compreensão o fez entender o que estava acontecendo, o feitiço tinha dado certo, mas a insuportável coragem e lealdade Grifinoria tinha atirado a sabe-tudo em um ímpeto desmedido de salvá-lo para junto com ele no vortex do tempo e enviado para o passado junto com ele. Ele ficou furioso, teve vontade de lançar uma maldição na garota por estragar seus planos.

O homem tirou a varinha da cintura e a apontou para o bruxo sentado no chão, Hermione se arrastou para mais perto de Severo e colocando a mão em sua própria varinha olhou para homem em silencio, o professor mais preparado para o caso respondeu com um olhar firme. – Bom Homem, somos viajantes e estamos aqui indo em direção a Hogsmead para buscarmos abrigo essa noite.

O Homem olhou para os dois e falou – Falas e veste de modo estranho senhor, mas vejo que é um bruxo e sabe onde estais a ir, perdoe-me a pergunta, mas cautela nunca foi demais. Podei dizeres o seus nomes para que eu possa acompanhá-los ao vilarejo, essa parte do terreno é particular e não podeis vagar por aqui.

Hermione estava tão chocada que sentia como se seu língua tivesse congelada, olhou pasma para o homem que falava com eles, pelas roupas e o jeito de falar ela concluiu onde estavam, mas não acreditou, pensou por fim “será possível que estavam na mesma clareira só que no passado?” Ela nunca tinha lido nenhum feitiço ou menção de algum que falasse de uma viagem no tempo tão longa assim, apenas algumas horas de vira-tempo e coisa do gênero. Tomou fôlego se sentindo em algum seriado trouxa do além da imaginação. Ela viu Severo se levantar e oferecer uma mão para que ela fizesse o mesmo, aceitou sem ter certeza se seus pés a sustentariam.

Severo passando a mão pelas suas vestes negras para tirar algumas folhas, resolveu ficar furioso com a grifinória mais tarde, nesse momento ele tinha que evitar problemas com o homem a sua frente, daria um trégua a bruxinha. – Eu sou Severo Prince e essa é Hermione. – respondeu Snape tentando parecer seguro de si e um tanto aliviado, não queria um conflito logo assim de inicio. Não usou o seu sobrenome trouxa e nem o de Hermione, achou mais seguro usar Prince por que era uma família antiga e provavelmente o bruxo de Hogwarts já tinha ouvido alguma vez.

O homem curvou a cabeça de forma cortes para ambos e falou - Se me permitem indicarei o caminho que devem seguir.

Severo pegou sua sacola no chão fez um sinal para que Hermione ficasse em silêncio e começou a seguir o bruxo, a bruxa muito assustada seguiu atrás dele.

Assim que entraram em Hogsmead o homem parou e falou para ambos, - ai está o vilarejo, existe apenas uma estalagem, - apontou o dedo para o que na época moderna seria o Cabeça de Javali e continuou olhado para Severo – Não é muito adequado para uma dama senhor, mas acho que se querem mesmo passar a noite por aqui não terão outra opção. Se me dão licença tenho que voltar a patrulhar as terras do castelo. – Falando assim o homem deus as costas e voltou em direção a Hogwarts.

Hermione olhou para Severo e ele reconheceu aquele olhar, ele já o tinha visto milhões de vezes, ela está cheia de perguntas para fazer, ele teria o prazer de respondê-las todas, chegou a sorrir a idéia, ia ser um choque e tanto para a garota, uma punição edequada para um ato temerário de uma garota intrometida. Mas não poderia ser no meio da rua. Por isso falou rascante:

 – Seja lá o que a senhorita queira perguntar aguarde até que estarmos sozinhos, sei que já percebeu que estamos no passado então fique quieta de deixa que eu falo.

Hermione fechou os olhos com raiva e disse – Professor, como posso ficar calada, quero saber como viemos parar aqui e...  - Severo olhou para ela muito irritado e com uma mão levantada interrompeu a garota que ficou com a boca aberta como se a voz lhe fosse roubada, Severo falou cuspindo de raiva:

 – Em primeiro lugar Senhorita Granger, não era para a senhorita estar aqui, e somente a impulsividade grifinória poderia justifica o seu ato lá na floresta, você é uma bruxa por que não tentou bloquear o feitiço ao invés de pular sobre mim daquela forma, ou melhor ainda, tentou descobrir o que realmente estava acontecendo antes de se intrometer? Agora que atrapalhou todo o meu plano, veio parar aqui comigo, ainda quer fazer um milhão de perguntas? Cala a boca! Quando eu puder e estiver com disposição eu lhe explico alguma coisa. – os olhos do bruxo faiscavam de raiva.

A bruxa arregalou os olhos muito assustada, todos os anos de medo do professor vieram a tona e ela se encolheu fechado mais o seu casaco envolta do corpo, será que havia entendido bem? Snape disse que tinha planejado aquela viagem? Um arrepio correu por sua espinha ao perceber que estava mesmo no passado.

Snape sentiu-se muito bem por gritar com a bruxa, afinal ela estava ali de intrusa, ele não pretendia trazer ninguém para o passado a não ser a si mesmo. Ao mesmo tempo ficou com pena da moça, ela era brilhante, jovem e bonita, e estava agora presa a um destino que ele escolhera para si como ultima opção, apaziguando o ânimo ele disse ao perceber a perplexidade e o medo no olhar da bruxa:

 – Senhorita,tudo vai dar certo, eu tenho um plano, terei que adaptá-lo a nova realidade no entanto, mas  acho que seria melhor somente eu falar por que eu sei o que está acontecendo e a senhorita não faz ideia, assim que conseguirmos um quarto eu prometo que explico tudo, por favor fique quieta por enquanto. – Snape se espantou com seu tom educado, mas achou que foi adequado e se sentiu melhor ao ver que a jovem respirou fundo, fechou a boca e concordou e ambos seguiram para a espelunca que no futuro seria O Cabeça de Javali.

O mestre de poções entrou com sua melhor carranca no estabelecimento, olhou ameaçadoramente para todos lá dentro, um bando de sujeitos mão encarados  e caminhou altivo até o balcão. Atrás deste, um homem com aparência suja e desleixada passava um pano tão sujo quanto no tampo. Snape franziu o nariz para aquilo tudo, o lugar cheirava a alho e álcool, deu uma segunda olhada na clientela e chegou a conclusão que a travessa do tranco era um parquinho perto daquilo ali. Hermione deve ter pensando o mesmo por que chegou mais perto do professor quase tocando em seu braço, Severo achou que se ele fosse outro que não ele, ela teria passado o braço no seu. Sorriu intimamente pensando que ela devia estar muito arrependida de ser tão intrometida.

Desviando o pensamento da bruxa, Snape se dirigiu ao estalajadeiro:

- Boa noite, nós gostaríamos de um quarto para passar a noite. – o homem do balcão bufou olhando de cima a baixo para o professor com desprezo, Severo se assustou um pouco com a forma de tratamento, ele estava acostumado a ver, medo, repulsa, as vezes admiração nos olhos das pessoas, mas ser olhado como algo desprezível era novidade para ele, teve vontade de tirar a varinha da manga e ensinar uma ou duas coisa para aquela criatura suja, não iria arrumar confusão naquele lugar, mas logo teria que mostrar que com ele não se brincava para aquela gente.

O Homem do balcão falou ainda com o nariz repuxado olhando para a jovem – Não aceitamos prostitutas aqui, se quer se divertir com essa ai vá para o bordel no fim da rua. – Hermione ficou vermelha como um pimentão, Snape não estava preparado para aquilo, olhou para Hermione e percebeu tarde de mais, que ela não ia aquentar aquilo calada, tentou impedi-la de falar, mas a bruxinha soltou de uma vez só.

- olha aqui seu impertinente –, Severo achou que a voz da garota saiu estranhamente parecida com a de Minerva– eu não sou prostituta, - sem saber o que dizer depois disso, a bruxa sentindo a adrenalina correr em seu corpo e o coração disparado no peito, olho em volta e notou que se dissesse que estava sozinha e buscava abrigo com um homem em uma espelunca seria aos olhos daquela gente mau encarada e de tempos passados uma vadia, Sem ver outra solução fez a cara mais fleumática que pode e falou triunfante, pensando que tinha achado a saída – Esse homem – segurou no braço de Snape – é meu marido!

Se ela tivesse dito que era o elfo doméstico dele Snape teria achado mais normal, Levantando uma sombranselha ele repetiu silenciosamente “Marido?” de onde aquela bruxa biruta tinha tirado isso, Severo sentiu um puxão na manga, olhou para o lado e como se tivesse recebido um choque voltou para a realidade, Hermione olhava para ele com um olhar súplice, como se tivesse usado legimência ele entendeu que ela queria que ele confirmasse a asneira que ela havia falado, ele sentiu que ela estava com medo daquele lugar e que perante aquela gente, uma mulher desacompanhada junto a um homem que não era seu parente ou marido seria desqualificada. Com um suspiro de aceitação virou para o estalajadeiro e falou meio vacilante – isso mesmo senhor, respeite minha esposa.

Hermione sorriu agradecida a ele em resposta. Severo dobrou o braço fazendo com que a mão dela ficasse próxima a seu cotovelo e pousou sua própria mão sobre a dela. A bruxa achou o contato muito insuspeito, era estranho estar de braço dado com o Snape, ela sentiu que a mão dele era quente e protetora, e por incrível que parecesse ela estava gostando do contato e estava agradecida pelo apoio.

O Homem do balcão deu um sorrisinho cínico e falou, se vocês estão dizendo que são casados a coisa muda de figura, mas o senhor tem que convir que esse lugar não é do tipo que um homem descente traria sua esposa. Severo fez uma cara muito brava que faria os alunos tremerem de medo, mas ao homem nada causou. Severo se espantou e pensou “será que esse estalajadeiro não tem medo de morrer me tratando assim” e em sua cabeça uma voz que parecia para ele a de Dumbledore falou quase como que caçoando. “Ele não sabe quem você é, por tanto, não está vendo o ex-comensal da morte terrível mestre de poções morcegão seboso das masmorras de Hogwarts, ele está vendo só um bruxo alto, magrelo com uma esposa jovem agarrada há seu braço” um sorriso de escárnio saiu do canto da boca do mestre, quando ele falou ao homem:

- O senhor tem toda razão, não deveria ter trazido minha mulher para cá, mas não tenho outra opção nesse lugarejo – Snape falou educadamente, Hermione não entendeu nada. Se fosse em seu tempo e alguém tivesse falado daquele modo com o bruxo ele no mínimo o teria  azarado. Ele continuou com um tom malévolo. – Em todo caso, se algo tentar incomodar minha esposa, ou perturbar seu sono pode ter certeza que não sairá vivo para contar a história, pode ter certeza que eu sei cuidar da minha mulher, por tanto, se você tem um quarto, me dê logo a chave e assim eu tirarei a nós dois desse salão inadequado a pessoas de bem como nós. – por dentro Severo estava quase rindo, principalmente quando o homem em fim fechou a cara parecendo um pouco assustado. Com um estalo de dedo o estalajadeiro vez aparecer um elfo doméstico, tão sujo quanto o resto, falou algo com ele e a pequena criatura se aproximou de Snape fez um reverência e falou:

- Patrão mandou levar vocês para quarto dos fundos, segue eu que vou levar vocês ate lá.

O casal seguiu o elfo, ele os levou até uma escada para a parte de cima da estalagem, eles subiram e caminharam por um corredor iluminado por uma claraboia até uma porta de madeira bem no fundo, quando a porta foi aberta o elfo deu passagem para os dois.
Hermione entrou no quarto primeiro e teve vontade de chorar, o lugar era péssimo, sujo e só tinha uma cama pouco maior que uma de solteiro, uma mesa com uma jarra e uma bacia e uma cadeira dura. Assim que Severo entrou o elfo estendeu a mão para ele e falou – são 30 sicles pelo quarto, e se quiser que eu traga o jantar, que hoje e queijo pão e presunto serão mais 10 sicles.

Snape levantou uma sobrancelha, o homem usava o elfo para cobrar, provavelmente com medo de ser azarado por cobar um preso alto, teve vontade de amaldiçoar o dinheiro antes de entregá-lo ao elfo, ia ser engraçado ver o estalajadeiro sobre uma maldição, mas não fez nada e entregou a quantia pedida acrescido do preço do jantar, pois na hora que o elfo tocou no assunto percebeu que estava morto de fome, pediu também uma garrafa de vinho e dois copos. A criatura saiu com o dinheiro e Snape olhou para Hermione, ela estava em pé no meio do quarto sem saber onde sentar sem sujar a roupa. Com um ar de debocho ele virou para ela e falou – vamos lá esposinha, você não sabe fazer nem um feitiço de limpeza não? Trate de limpar bem nossa cama por que quero me deitar para aproveitar sua companhia.

Hermione não acreditou no que escutou, ele quer aproveitar o que? Só podia estar maluco, quando a bruxa virou-se para ele para dizer-lhe o que pensava dele deitar-se junto a ela na mesma cama notou um ar de divertimento em seus olhos, ele estava se divertindo as custas dela e da covardia dela lá em baixo, quando se agarrou a ele daquele jeito, se odiou por isso, não devia ter falado que era esposa dele, mas naquela hora não conseguiu pensar em outra coisa. De toda forma o feitiço de limpeza não era uma má ideia, pegou a varinha em sua manga e a agitou no ar fazendo vários feitiços que em minutos tiraram toda a sujeira, olhado bem para Severo ela teve uma ideia, apontou para a cama e transfigurou o agora limpo lençol branco em um lençol vermelho com o símbolo da Grifinória bem no meio, como dizendo em alto e bom som que a cama era dela e que ele não tinha lugar ali.

Severo deduziu bem o que ela queria dizer com aquilo, e teve uma idéia malvada, levantou da cadeira que ele havia sentado e se jogou em cima da cama, sentou-se bem em cina do escudo e falou:

- acho que todas as cadeiras e camas deveriam ter o escudo da Grifinória, assim quando as pessoas sentassem estariam – levantou um canto da boca em um arremedo de sorriso ‘– colocando a Grifinória sob o seu melhor ângulo, se é que você me entende. – Terminou se acomodando bem sobre a cama.

Hermione ficou possessa, como ele tinha coragem? Ela ia transfigurar novamente o lençol em branco quando o elfo voltou com a comida, ele olhou para os dois, se notou o clima estranho ou a limpeza, nada disse, deixou a comida sobre a mesa e saiu.

 Assim que Severo se levantou Hermione transfigurou o lençol em branco e foi se sentar para comer, O bruxo notou o feitiço divertido, talvez mais tarde ele transfigurasse o lençol em um vende com escudo sonsserino e sugerisse que ela se deitasse em cina da cobra só para vê-la corar e ficar nervosa, ele estava gostando desse joguinho, afinal se estavam naquela situação a culpa era dela.

Hermione bebeu um copo de vinho e levou um pedaço de queijo a boca. Olhou para ele e falou – Professor, estamos sozinhos agora, pode começar a me explicar o que está acontecendo.

Severo concordou e ia começar a contar, quando um barulho na janela chamou sua atenção, ele foi ver do que se tratava e achou uma coruja enorme e velha com cara de muito importante carregando um pergaminho amarrado a seu pé, Snape se espantou, quem teria mandado um pergaminho para eles se ninguém os conhecia, achou que poderia ser o estalajadeiro com medo de falar mais alguma coisa, mas achou improvável, o homem teria mandado o elfo, pegou o pergaminho e o mostrou para Hermione, a garota chegou perto para ver o que era também achando estranho. Assim que Severo o abriu, o pergaminho pareceu criar vida e começou a flutuar em frente a eles no quarto, exatamente como um berrador, só que mais solene e empolado, dizia:

- Segundo a lei do ano de 950 do ministério da magia do reino da Escócia, quaisquer casal formado de pessoas maiores de 16 anos que se declararem casadas perante duas testemunhas ou mais estarão casadas legalmente e receberam seus documentos – nesse momento um pergaminho menor saiu de dentro do maior e foi voando para o colo de Severo, ele o pegou sem acreditar no que estava vendo, o pergaminho grande continuou – para fins legais o casal terá todos os direitos e deveres atribuídos ao casamento, ao marido cabe proteger e prover sua esposa e filhos advindos da união, assim como a esposa deve obedecer, honrar, gerar filhos e cuidar do marido e de sua residência. Dou meus parabéns a vocês em nome do ministério da magia e desejo uma longa vida feliz para ambos.

Assim que terminou o pergaminho maior que ainda flutuava se despedaçou e caiu ao chão em milhares de pedaços.

Severo segurava em suas mãos um papel com os seguintes dizeres:


CERTIDÃO DE CASAMENTO EXPEDIDO PELO MINISTÉRIO DA MAGIA DA ESCÓCIA.

Certifico que Severo Prince e Hermione Prince estão casados perante a lei do ministério da Escócia.

Assinado: Angus Mcdale  - Ministro da magia


Severo tremia enquanto segurava o papel, leu três vezes antes de deixá-lo cair no chão, olhou para Hermione como se ela fosse uma doença grave que ameaçava cair sobre ele. Hermione abaixou para pegar o pergaminho e depois de ler ficou branca como cêra, e perguntou ao professor – Como isso foi acontecer?

-Você não sabe o que aconteceu? Achei o berrador bastante explicativo.

Hermione revirou os olhos e falou brava. - eu entendi o que aconteceu o que eu não sei é COMO aconteceu.  – Severo teve que sorrir. - Então a sabe-tudo merece um trasgo em história da magia, eu nunca fui muito bom nessa matéria, mas achei que a sabe-tudo seria perfeita nisso também.

“Quando que você disse que era minha esposa eu não me lembrei do fato, só fui recordar quando ouvi o berrador dizer, essa lei é chamada Lei do Casamento por Declaração e ela existiu também na Escócia trouxa. O sistema de casamento por declaração entre bruxos é muito simples, dois bruxos maiores de 16 anos se dizem casados perante testemunhas, há um tabu nesse ato e um anúncio é feito no Ministério, o nome e a localização dos bruxos e mostrada e uma coruja é enviada com os documentos. No mundo bruxo ela foi revogada após a formação do Ministério da Grã Bretanha. Já na Escócia trouxa sua revogação foi em 1938.

Hermione lançou o pergaminho na mesa como se ele tivesse queimando seus dedos.

 –E é assim, alguém fala que é casado e pronto? O que a gente vai fazer agora, nós não podemos ficar casado, e quando voltamos para o nosso tempo, como vai ficar isso, eu sei que os casamentos bruxos são indissolúveis, mais isso se aplica também a casamentos feitos em tempos diferentes?

Dessa vez Severo riu de verdade. – Você ainda não percebeu mesmo não é garota – Hermione ficou seria – Não percebi o que?- severo continuou – Nós não podemos voltar, quando eu programei essa viagem, eu não planejei voltar, esse tempo agora é o nosso, por que o feitiço que o Malfoy lançou sobre mim e a senhorita irritantemente quis compartilhar comigo não tem contrafeitiço e é irreversível.

A bruxa caiu sentada na cama olhando o professor como se ele tivesse despejado um milhão de palavrões sobre ela, sentiu a cabeça rodar e desmaiou sobre a cama dura da estalagem.


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Nota da autora:

Olá gente, faz muito tempo mesmo, mas estou de volta com força total, essa é uma história que se passa no passado, na idade media na época da fundação de Hogwarts, não estou sendo historicamente precisa em descrever o cenário da Escócia medieval e estou tomando muitas licenças poéticas, até por que não se tem muita informação sobre esse período do mundo bruxo.

Quanto a referencia sobre o casamento por declaração citado por Snape como existindo também no mundo trouxa, ele esta certo, existiu mesmo na Escócia só sendo revogado em 1938. Tendo sido esse legal e previsto na lei escocesa, que na verdade corroborava um costume céltico antigo que era usado para facilitar o casamento em lugares de difícil acesso.

Eu usei Ministério da Escócia ao invés do Britânico por que O Reino da Escócia foi um Estado independente até 1 de maio de 1707, quando os Atos de União formalizaram uma união política com o Reino da Inglaterra, de modo a criar o Reino Unido da Grã-Bretanha. Portanto deveria ter seu próprio Ministério.
 

Capítulo 2 – PARA ONDE VAMOS MESMO?


Tudo era escuro, uma voz grave ressonava em sua cabeça chamando seu nome. Por que estavam querendo acordá-la de seu sono tranquilo, ela estava segura em sua cama, por que estavam dando pequenos tapinhas em seu rosto?

Abriu os olhos lentamente já pronta para reclamar da ousadia de terem lhe acordado quando deu de cara com o nariz muito grande de Snape a poucos centímetros de seu rosto, a realidade lhe assolou, e ela se lembrou de tudo, e em um gemido dolorido se forçou a focar a vista e encarando o professor nos olhos

– Como assim não tem volta?!

Severo deu um passo para trás, estava assustado com o desmaio da garota e tinha se aproximando para acordá-la, chamado por ela. Esperava que quando a bruxa acorda-se fosse ficar desorientada e ele teria que lhe reaver os últimos momentos, não que ela abrisse os olhos e fosse logo fazendo perguntas, teve que se conter para não rir da cara de desespero dela o encarando, pigarreou e respondeu:

 – Senhorita Granger, como eu estava dizendo, antes de você tão sutilmente demonstrar seu descontentamento com o fato, esse feitiço que nos trouxe até aqui não tem volta, quando se opta por usá-lo se deve saber que é irreversível.

Sentada na cama com a boca aberta, Hermione respirava com dificuldade de um fôlego falou baixinho – Professor, quer dizer que estamos presos aqui nesse tempo?

Snape passou a mão no rosto um pouco contrariado - Acho que foi isso que eu disse, só tem um adendo, eu não estou preso, eu quis vir para cá, a senhorita que veio contra a vontade.

A bruxa olhava para ele com um pergunta pronta na ponta da língua e antes que ela tivesse tempo de formular Snape continuou:

 – Sim, eu escolhi vir para cá, e quer saber por que não é senhorita? - seus olhos estavam enevoados de tristeza - Por que eu estava cansado de ser o maldito bastado sortudo que sobreviveu sem merecer. – Hermione ia contestar, mas foi cortada – Vai dizer que não era assim, que todos me admiravam e bla bla bla... Não banque a tola Granger, quem se esqueceu de quem eu fui?

O bruxo começou a andar pelo quarto e parou próximo a janela.

- Eu tenho ouvidos Granger, eu escuto o cochichar pelos corredores, os alunos fofocando, eu vejo o olhar acusador das pessoas nas ruas, e pior, eu vejo o medo, elas me temem, não por respeito as minhas habilidades como bruxo, isso eu até poderia suportar, no entanto elas têm medo do meu passado, após a morte de Dumbledore me tornei a pessoa mais sozinha da face da terra, e por mais que todos achem que eu sou um ser sem sentimentos e que gosto de passar o tempo sozinho, eu sinto falta do contato humano, sinto muita falta do único amigo que tive na vida, aquele velho maluco, e percebendo que nada sobrou para mim, além da indiferença e do ódio. Por isso senhorita resolvi desaparecer, pensei em ir embora para longe e graças a Melim, num dia de desespero descobri por acaso esse feitiço e para mim parecia perfeito, até é claro, que você pulasse nele.  

Severo estava tão envolto em seus próprios sentimentos que não notou a bruxa a sua frente, quando se virou para ela viu que estava chorando silenciosamente, fazendo cara de nojo Snape disse – está chorando por que nunca mais vai ver seus amiguinhos, senhorita? – Hermione passou a parte de trás da mão sobre os olhos limpando as lágrima doloridas e respondeu:

 – Não professor. Estou chorando pelo senhor. E por como a vida lhe foi injusta. Era por isso que o senhor passava tanto tempo em seus aposentos não era?

Snape esperava qualquer coisa, inclusive que ela o debochasse, mas a piedade dela era demais para ele, virando as costas saiu do quarto deixando Hermione sentada sozinha com os olhos vermelhos perdidos.

Do lado de fora da porta do quarto, o bruxo fechou os olhos amargamente, ele havia se aberto para a garota sem pensar e agora, estava exposto em sua fraqueza humana, não estava acostumado a que o vissem sem a máscara de indiferença que sempre vestia, passou a mão na testa e resolveu voltar para o quarto, afinal não queria sair e encarar a noite medieval sem necessidade real. Poderia lidar com a garota e talvez com alguma pergunte constrangedora.

Abriu a porta e se deparou com Hermione na mesma posição em que a havia deixado, se aproximou olhando para os próprios sapatos, pateticamente do ponto de vista dele, não tinha coragem de encará-la depois da sua explosão e da reação dela.

Hermione o viu chegar, teve muita pena dele naquele momento, o orgulhoso sonsserino reduzido a um simples mortal. Ficou imaginando o que os meninos iam pensar se o vissem assim, depois viu que provavelmente eles ririam dele e não seria agradável presenciar isso.

Naquele instante percebeu que era melhor dar um tempo para que ele se recuperasse, ela sabia que o bruxo não aquentaria uma conversa profunda sobre as consequências da viagem na vida dela, poderiam falar disso outra hora, por agora ela ia ajudá-lo a suportar aquele momento pesado, numa idéia brilhante a bruxa se virou e fazendo sua melhor cara de curiosa perguntou – professor, que bom que o senhor voltou, estava aqui pensando qual feitiço o senhor usou, nunca soube de nada como isso, uma viagem no tempo tão longa...

Hermione tentava de todas as formas esconder seus sentimentos atrás de seu ar de sabe-tudo, estava apavorada, fazia um esforço tremendo para se conter e não sair gritando e se jogar no lago negro, ela não podia deixá-lo perder as estribeiras eles tinham que ficar unidos, afinal estavam presos no passado e o professor dizia que não tinha saída, e ainda por cima tinha a história do casamento, essa ela ia deixar para se aborrecer mais tarde, tinha que saber o máximo do que estava acontecendo como eles antes.

Severo percebeu e agradeceu mentalmente o esforço que ela estava fazendo para manter a conversa, era nesses momentos que a coragem grifinoria mostrava seu valor, se fosse um sosserino provavelmente teria usado seu momento de fraqueza para pisotear a sua dor e tirar vantagem sobre ele, mas ela era leal e honesta, ele gostou da sensação de segurança que esse comportamento lhe demonstrava. Dando um sorriso de canto de boca para a bruxa, ele respondeu com um toque de espanto na voz, mas sem nenhum sarcasmo, como já tinha se aberto com ela, resolveu continuar humano naquela conversa.

 – Senhorita, mesmo numa hora como essa sua curiosidade sabe-tudo se faz presente, pois muito bem, vou explicar a história toda. E começou:

- Há dois anos, logo após o meu julgamento e absolvição, voltei para Hogwarts, eu não queria fazer isso na verdade, mas não tinha outro emprego a vista e, se a senhorita não sabe, nunca fui um  homem de posses, Minerva me pareceu naquele instante mais do que generosa me chamando de volta, nunca pediria meu emprego para ela, não teria coragem para tanto, mas ela me convidou e eu fui, no primeiro ano na escola ajudei aos outros professores com a reforma do castelo, e logo nesse tempo comecei a ver que minha vida ficaria mais difícil do que já era antes da morte de Alvo, todos, sem exceção me tratavam com respeito, e aparente aceitação, mas nunca fui chamado para nenhuma reunião da ordem na sede ou em qualquer lugar, nem outros encontros sociais, não que eu fosse a alguma confraternização de professores, mas antes, mesmo sabendo que eu não iria eles me chamavam, agora eu estava recebendo uma punição silenciosa e cruel de todo o mundo bruxo, os jornais podiam estampar nas suas páginas que eu era um herói, mas para meus pares eu me tornara um pária.

“Passei o ano trabalhando abnegado a minha posição de excluído na esperança que com a volta as aulas as coisa iriam se normalizar, teria os sonsserinos de volta e poderia ao menos tirar pontos da Grifinória para me divertir, todavia, não aconteceu como eu esperava os Sonsserinos não falavam comigo me tratavam como um traidor fui ignorado por meus alunos de minha própria casa, era costume virarem as costas quando eu passava, distribui detenções a torto e a direito e nem assim recebi o respeito deles.

Como se já não fosse suficiente, tudo piorou em um dia que eu estava passando por um dos corredores e ouvi uma conversa entre Minerva e um dos pais de aluno que estava reclamando de mim. Ele dizia que era um absurdo eu estar ensinado as crianças, que deveria estar em azkaban, achei por um minuto que Minerva iria me defender, nem que fosse por obrigação, no entanto a resposta dada me surpreendeu. A bruxa velha falou que concordava com ele. A diretora disse que minha contratação tinha sido um pedido do quadro do Alvo e que ela não tinha conseguira negar, mas que ele ficasse tranquilo, pois ela poderia me despedir no inicio do próximo ano, por que já tinha um mestre de poções em vista, falou ainda que me daria uma indenização e assim se sentiria melhor por que não estaria me condenado a miséria.”

Hermione notou que estava segurando a respiração desde o inicio da narrativa do professor por que soltou o ar de uma vez só, sentiu uma dor profunda vinda do homem, ninguém merecia ouvir algo assim de alguém em quem confiava muito menos ele depois de tudo que tinha passado na vida, a professora Minerva tinha sido cruel, apesar de não saber que ele há estava escutando. Parou de divagar para continuar escutando a história que Severo narrava:

- Eu me senti profundamente humilhado, era muito até para uma pessoa com um coração de pedra como o meu, tão acostumado a tristeza. Quis ir embora naquele momento e mandá-la enfiar a indenização você pode imaginar onde.

 Hermione levou a mão à boca se espantando com o destempero emocional de seu antes tão frio professor de poções. Ele prosseguiu:

 - Sabendo que não teria como me sustentar se saísse naquele dia do emprego e humilhado por minha própria condição sai correndo e fui procurar o lugar onde eu sabia, os alunos tinham se escondido de mim antes da derrota do Lord das Trevas, a sala precisa, queria que ela se abrisse em um lugar que eu pudesse me esconder para que ninguém visse como eu estava, para me recuperar da dor e vestir minha indiferença de sempre, vi a porta se formar diante de mim e entrei, lá dentro não tinha o cômodo que eu pensei encontrar e sim uma sala toda negra, um espaço difuso sem referencial, como se eu tivesse perdido no espaço, dei alguns passos no nada e vi uma luz branca sobre um pedestal de mármore como um pilar grego, me aproximei cauteloso, sobre esse estava um livro, na sua capa estava escrito “O Misterioso Mistério do Tempo  -  feitiço proibido do tempo por Aufonsus Miraculos”  Nunca tinha ouvido falar no livro, mas assim que eu o pequei um sofá surgiu atrás de mim e eu me sentei e comecei a ler.

A cada parte que seu professor contava, Hermione ficava mais surpresa, agora ela estava muito curiosa sobre o conteúdo do livro. Severo continuou como se advinha se seus pensamentos:

- O livro começava com uma advertência, dizia que o feitiço que ensinava era proibido e irregular, sendo sua utilização um tabu entre os bruxos porque as consequências do seu uso poderiam ser terríveis. Principalmente por que se lançado o feitiço sobre alguém essa pessoa estará irremediavelmente presa no passado, na verdade 1000 anos no passado, como é o nosso caso agora.

Hermione ficou assustada – Professor, como teve coragem para fazer o feitiço, se desse errado nem imagino o que poderia acontecer.

Severo olhou para ela muito bravo – Ora senhorita, a quem me tomas, e lógico que estudei muito bem o feitiço e fizemos testes para ter certeza que funcionaria.

Ao ouvir o verbo no plural, a bruxa se lembrou do Lucio Malfoy, e perguntou:

- Quando fala “fizemos” está se referindo ao senhor e Lucio certo?

- Precisamente senhorita, eu e Lucio, assim que percebi que o feitiço tinha que ser lançado e não poderia ser alto aplicado tive que pensar em alguém para executar a tarefa, sabia que poucas pessoas se arriscariam, e teria que ser alguém minimamente capaz por que o feitiço era muito poderoso e difícil de aprender, não poderia ser alguém despreparado, era a minha vida afinal de contas.

Severo sentou na cadeira e tomou um copo de água, olho para bruxa e notou que ela o ouvia com atenção, respirando fundo continuou: – Procurei por Lucio por que ele me devia um favor, ao matar Dumbledore poupei a alma do filho dele, achei que isso seria suficiente para cobrar uma retribuição, e como pode ver foi. Passamos meses praticando os movimentos, e testando, mandamos uma pedra para o passado e esperamos para ver se permanecia no mesmo lugar no futuro e ela estava bem ali mais velha e desgastada, então concluímos que estava tudo pronto, antes que me pergunte, eu li o livro até o final e não havia um feitiço de volta, realmente não há retorno.

“fui até minha casa semana passada e busquei minhas coisas, fiquei chateado por não poder trazer meus livros, mas não poderia trazer conhecimento do futuro para o passado, não seria juntos com o bruxo que escreveu o livro e fez as descobertas, peguei todo o pouco dinheiro que tinha e fui até Minerva falei que tinha ouvido tudo que ela tinha dito ao pai do aluno e pedi as minhas contas com a tal indenização, juntei tudo nessa sacola ampliada e sem peso – apontou para a sacola de lona cinzenta que agora descansava sobre a mesa - e fui junto com Lucio para a clareira, o resto a senhorita já sabe.

“Eu vim para cá para ter uma vida nova, arrumar um oficio, talvez formar um família mas, diante das circunstâncias – apontou para ela – não sei como isso vai ser, tenho pouco dinheiro, a tal indenização tão caridosa da Minerva era quase uma piada. E agora se você tiver alguma ideia de como sobreviver na idade média, esteja livre para falar, tudo que eu tinha planejado daria muito certo para um homem sozinho não para um acompanhado de uma jovem esposa.”

A bruxa sentiu a realidade gelada pairar sobre ela, estava casada para sempre com Snape, presa no passado e sem um galeão furado no bolso, dependia inteiramente de seu marido e de sua piedade, se ele a abandonasse com certeza morreria de fome em um mundo medieval onde as mulheres poucos direitos tinham. Era assustadora sua situação, sentiu-se com menos medo por perceber que em momento nenhum o professor a ameaçara de abandono, mas ele disse que queria formar uma família, e ela seria um empecilho para tanto, teria que pensar sobre isso, e dizer lhe que ele teria que arrumar um lugar seguro para ela antes de se juntar a alguma outra mulher, a ideia de ser abandonada e trocada por outra mulher fez seu estomago contorcer-se, ela não sabia por que, mas não gostou da ideia nem um pouco.


Severo não sabia como interpretar o silêncio de Hermione, ela estaria tão revoltada com tudo que não queria nem falar, qual seria sua opinião sobre ele, será que ela pensava igual as outras pessoas e só o aceitava por obrigação. A sensação de pensar que ela o odiava era muito incomoda e chegava a arder, ele tinha que saber.

- Não me entenda mal Granger, mas gostaria de saber o que você pensa de mim, você me acha repulsivo como as outras pessoas no nosso tempo achavam?

A garota olhou para ele assustada, o que ele queria dizer com isso, será que ele estaria insinuando alguma coisa? Não era possível, ele só estava falando com relação ao que ele havia contado. Certa disso respondeu:

 – Não professor, eu não o acho repulsivo, eu o admiro e o vejo como o maior responsável pelo sucesso da ordem na guerra contra Voldemort. É um absurdo o que fizeram com o senhor, se eu tivesse visto alguém, mesmo que a Minerva falando mal do senhor teria dito o que pensava dela por isso. - parou para ponderar e continuou:

- Bem, Essas pessoas e suas opiniões não são mais relevantes, por que elas nem nasceram ainda, acho que devemos esquecê-las, veja, se não podemos mais voltar temos que esquecer aquela realidade e focar nessa que agora é a nossa, ou seja, ser objetivos e pensar como vamos sobreviver, e para onde vamos, afinal, como o cara nojento lá de baixo falou – se referindo ao estalajadeiro – esse não é lugar para uma dama. - Passou as mãos pela lateral do seu próprio corpo de forma zombeteira

Severo tinha ficado extremante tenso com a pergunta que tinha feito, se ela tivesse dito que tinha nojo dele e que pensava igual a todos os outro não saberia o que fazer, como poderia conviver com uma pessoa que o odiava tendo que ajudá-la, seria incrivelmente cruel consigo mesmo se fosse obrigado a isso, no entanto ela afirmou que o tinha em “alta conta”, sendo assim, poderia suportar a presença dela e quem sabe usufruir de alguma forma da companhia. Afinal ela não era mais sua aluna era bonita e estava casada com ele, uma união indissolúvel. Resolveu tornar as coisas menos formais e mostrar a ela que ele agora era um homem comum e desimpedido.

- Bem, a luz das circunstâncias, acho que temos que acertar umas coisas, eu tenho nome e não é mais Snape como você pode notar pela certidão de casamento e muito menos professor, como agora você é minha esposa deve me tratar por Severo e eu a tratarei como Hermione. – a bruxa concordou. - Porque trocou seu nome? – Severo respondeu – Por dois motivos, primeiro, Snape é um nome trouxa e não é comum trouxas em Hogsmead nesse tempo, chamaria atenção. E segundo, não quero que o meu nome Snape seja citado em lugar algum, por que não existiram bruxos chamados assim nesse tempo. O mesmo imaginei do seu sobrenome. - Foi muito esperto da sua parte, e bem pensado. – a bruxa afirmou.

Severo continuou - Quanto ao nosso casamento, acho que devemos ignorar as implicações disso no momento, será mais prudente deixarmos para discutir melhor outro dia. – Hermione ficou rubra e concordou com um movimento mínimo de cabeça. Ela estava assustada com as palavras dele, então ele estava pensando em levar o casamento a sério? Em consumá-lo? Um frio correu a espinha da bruxa, nunca tinha pensando nele como homem, resolveu que ele tinha razão e era melhor deixar isso para outro dia. 

 Snape percebeu o rubor na face da bruxa e resolveu ser impiedoso, notou que até aquele momento ela não falara seu nome ainda, achou que a bruxinha não tinha coragem para falá-lo e resolveu testá-la. E de quebra falar o nome dela bem vagarosamente.

  - Vamos Hermione, me chame pelo meu nome – A garota sentiu uma sensação estranha ao ouvir seu nome de batismo sair lentamente dos lábios de seu marido, um calor estranho subiu ao seu rosto, “Deuses! Por que estou sentindo isso?” Pensou, passou a língua inconscientemente pelos lábios, Severo que assistia a tudo estranhou a reação e pasmo seguiu com os olhos a língua rosada que umedecia a boca carnuda, teve que sacudir rápido a cabeça para poder ouvir a voz suave de Hermione falar – Severo – o homem sentiu um choque percorrer sua espinha, “Deuses! Por que estou sentindo isso. Ele pensou.

Tentando ignorar a sensação, Severo continuou:

- Muito bem Hermione. Já está ficando tarde acho melhor dormirmos, amanhã teremos que decidir para onde vamos. – o bruxo desviou o olhar dos lábios da moça.

Hermione concordou – acho que devemos também dar um jeito em nossas roupas Severo - olhou para si própria e riu ao ver suas uma calça jeans, camiseta justa e casaco de lã grosso vermelho, realmente deveria estar fazendo uma figura estranha na idade media virando-se para o bruxo, concluiu que também ele não deixava por menos com seu casaco cheio de botões, inovação inexistente aquele tempo, Snape olhou a si mesmo e disse:

- Está ai algo que não vou gostar de fazer, sempre me visto desse jeito e não gostaria de mudar meu estilo, no entanto, entendo a necessidade disso, mas só vou fazer algo a respeito amanha agora eu estou muito cansado e pretendo dormir.

Hermione tirou o casaco colocou sobre a cadeira e sentou-se reclamando – essa cama é mínima, acho que nós dois juntos nela teremos uma noite muito incomoda.

Severo percebeu imediatamente que ela não estava querendo dividir a cama com ele, ainda mais uma tão pequena onde seria impossível seus corpos não se esbarrarem, ao pensar sobre isso sentiu seu rosto ficar vermelho ao se imaginar dormindo com o corpo colado ao da moça o pensamento fez passar um arrepio, era melhor mesmo manter certa distância, concluiu. Com um aceno de varinha ele multiplicou a cama em duas menores, que serviriam bem a ambos.

Hermione bateu palmas para ele e exclamou contente:

 – Ainda bem que eu fiquei presa no passado com um homem que realmente sabe usar a varinha em uma cama.

Severo engasgou, será que ela não tinha outra maneira de falar? A frase reverberou em seus ouvidos fazendo partes do seu corpo que ele não queria que acordassem darem sinal de vida. Nesse momento ele teve certeza de que as coisa iam se complicar muito para ele, pois ela havia falado com inocência e a maldade estava apenas na cabeça dele, ela nunca poderia imaginar o que ele havia pensado ou seria muito constrangedor. Pigarreando para disfarçar sua excitação ele fez uma mesura em agradecimento e exclamou - Fique a vontade para solicitar minhas atenções no que precisar. Somente depois de falar pensou em quantas atenções gostaria de dar a jovem nesse momento.

Hermione notou o leve rubor no rosto de Severo e algo estranho que passou por seus olhos, ela não identificou o que era, mas achou interessante. Desviando o pensamento para necessidades mais urgentes e perguntou ao bruxo – Severo, você sabe onde fica o banheiro? – com um sorriso debochado ele se abaixou e puxou um penico branco meio gasto de debaixo da cama, pendurou-o em seu longo dedo indicador e disse reverente como um mordomo – Toalete de milady.

A cara de horror da bruxa, fez Severo dar uma gargalhada verdadeira, ela o olhou furiosa, como ele ousava rir dela num momento constrangedor desses? Ele continuava com o penico pendurado pela alça em um dos dedos da mão e fazia um esforço para parar de rir quando ela falou

 – Pois bem, se está achando graça e por que está se esquecendo de que o toalete de milady e o mesmo de milord. – Severo enrijeceu as costas e parou de rir imediatamente, ela tinha toda a razão ele também queria usar o banheiro e como eles fariam naquele quarto mínimo?

 Hermione deu a solução. – vamos conjurar um biombo ali no canto e lançar um feitiço silenciador para que o outro não possa ouvir você sabe o que. Severo riu da maneira constrangida como ela falava, mais achou a ideia perfeita.


 Hermione tirou a varinha da manga e conjurou um biombo de madeira simples todo velado que não deixaria se ver nada do que estava do outro lado e lançou o feitiço silenciador, apontou a varinha para o penico nas mãos de Severo e o levitou suavemente até atrás do biombo.

Severo estendeu a mão em um gesto cortes e falou: – primeiro as damas

Hermione fez uma mesura debochada e foi para trás do biombo, assim que terminou lançou em evanesco em tudo e deu graças por ser uma bruxa. Mesmo sabendo que o bruxo não tinha visto ou ouvido nada e que não veria sinal do que ela havia feito, sair detrás do biombo foi uma das coisas mais constrangedoras que ela já fez na vida, ao olhar para Severo ele estava sério e se apresou a tomar o seu lugar, ela ficou contente por ele não era mais uma criança e não ia ficar falando o agindo de forma vexativa perante aquele fato.

Quando o bruxo saiu do biombo encontrou Hermione lavando o rosto na bacia que havia sobre a mesa. Ela disse a ele enquanto enxugava vigorosamente o rosto com uma toalha velha. – Sabe. Eu adoraria tomar um banho, mas nesse lugar será impossível. – Severo sorriu para ela e falou:

- Nada é impossível com um pouco de magia, amanhã quando nós acordarmos eu providenciarei um banho para você e o aproveitarei também depois, eu tenho sabão e shampoo na minha sacola.

Hermione sorriu para ele e falou algo que se arrependeu logo depois – Nossa nunca pensei que você teria esse tipo de coisa nessa sacola. – a cara feia que o bruxo fez a encheu de vergonha, principalmente    quando ele disse – eu sei muito bem que seus amigos vivem falando que eu nunca tomo banho, mais isso não é verdade, eu tenho o cabelo oleoso e vapor de poção o dia inteiro sobre ele não ajuda muito.

Hermione se pudesse enfiaria a cara em um buraco, ela olhou para os pés muito envergonhada, se sentindo mal por ter falado sem pensar, em um fio de voz ela disse:

– Desculpe-me Severo, eu não tive a intenção de ofendê-lo, eu... bem, na verdade o que eu disse foi horrível, por favor esqueça, eu nunca achei que você não tomasse banho, mas é que você não se parece com alguém que se preocupe com a própria aparência.

Severo ficou envergonhado e respondeu: – Tudo bem Hermione, eu entendo, mas agora que estou em uma “vida nova” espero surpreendê-la com meu asseio e cuidado com a aparência, Sorriu timidamente, deixando Hermione mais constrangida ainda e determinada a elogiar a aparência de seu marido assim que possível.

Severo deu um bocejo enorme, esticou os braços se espreguiçando e falou – Dormir, por favor. Desde que a guerra acabou eu me acostumei a ter oito horas de sono e depois de tantos anos dormindo em hora incerta adoro o luxo de adormecer tranquilo.

Acabou de falar se levantando e indo até a sua sacola tirou um pijama preto lá de dentro o segurou em frente ao corpo e em um feitiço rápido sua roupa trocou de lugar com o pijama dando a Hermione sua primeira visão da intimidade do seu marido que agora trajava um pijama de algodão em sua frente sem a menor cerimônia. Viu-o caminhando até a cama e falou – Severo, você não tem outro pijama ou algo para me emprestar, não gostaria de dormir de roupa, não é nada confortável.

Severo considerou o pedido, ele tinha um conjunto de moletom que poderia emprestar, pensou em negar, mas lembrou-se que ela era agora sua esposa e tudo que  ele tinha também era dela, riu de si mesmo imaginando que além de sustentá-la ainda teria que lhe fornecer o que vestir. Levou a mão para dentro da sacola e tirou o conjunto de dentro, era cinza escuro e estava bem usado, mas limpo, estendeu a ela e perguntou – você sabe fazer isso magicamente ou quer que eu entre atrás do biombo para você se trocar?

Hermione a exemplo dele pegou a roupa a sua frente e trocou magicamente. Ele sorriu a eficiência dela e foi em direção a sua cama se deitou e virou de lado de costas para a cama dela e dormiu.

A manhã já corria alta quando Severo se virou na cama espreguiçando, para seu espanto tinha dormido muito bem, teve sonhos tranquilos e chegou a conclusão que o melhor para ele e Hermione eram tentar um emprego em Hogwarts, afinal dar aula era sua profissão e não saberia ser camponês ou outra ocupação medieval que existia nos povoados. Assim que sua esposa acordasse iria contar sua ideia a ela e esperava que fosse aprovada.

Passando as mãos sobre os olhos virou de lado em direção a cama da bruxa, levou um enorme susto ao notar que essa estava dormindo somente de calcinha e sutiã, seu moletom estava no chão num lado da cama e o cobertor do outro, ela estava linda ali deitada como uma Vênus sobre a luz da manhã, exalando pureza, sua pele era leitosa e branca. A imagem fez Severo resfolegar, seus olhos se prenderam sobre um par de seios perfeitos envoltos gloriosamente em seda e renda, desceu um pouco para se deparar com uma barriga lisa coberta por uma penugem loira próximo ao umbigo que seguia para uma dentro de uma calcinha de corte bem comportado ,mas que desmentia a intenção pela transparência que deixava pouco a imaginar do corpo da moça.

A sua reação foi imediata com uma ereção vigorosa e inoportuna, a sensação do sangue pulsando em seu pênis o trouxe de seu devaneio, desesperado ele pensou que se ela acordasse agora o tomaria por um tarado infame que a despiu dormindo para ficar se masturbando, seria lamentável e até que explicasse que ela estava assim quando ele acordou teria que ser muito convincente por que ela notaria a reação do seu corpo.

Mais que depressa, mesmo que lamentando muito a perda da mais bela visão de sua vida, ele fez um feitiço para que a roupa voltasse ao corpo da bruxa assim como a coberta a enrolasse. Ele queria cortar totalmente o estimulo para que pudesse domar o seu corpo, virou de costas para ela e começou a recitar ingredientes de poção, quando estava quase conseguindo ouviu um gemido suave vindo da cama ao lado, olhou por cima do ombro e ela ainda dormia, ver seus lábios abertos e o som do sussurro voltou a inflamar seu sangue.

Sem outra opção teve que recorrer a um antigo pensamento que desenvolveu na escola em sua época de estudante. Severo se sentiu ridículo por ter que recorrer a isso, mas, qualquer coisa era melhor do que ser pego naquele estado pela bruxa. Fechou os olhos com força e formou a imagem da Minerva Mcgonagall em um biquine trouxa bem cavado. Deus do céu o resultado foi imediato, era como se o tivessem jogado em uma banheira de gelo. Bem a tempo de ouvir um pequeno gemido na cama ao lado e o barulho da garota acordando.

Hermione acordou morrendo de calor, assim que notou o fato levantou a coberta muito rápido para ver se estava vestida, desde criança tinha a mania de tirar a roupa dormindo se sentisse calor, já tinha passado muito constrangimento com isso em Hogwarts no dormitório e passara com o tempo a ter o costume de encantar sua roupa de dormir para manter o calor do corpo temperado assim evitando o acontecimento. No entanto, ontem a noite esqueceu por completo de fazê-lo e ficou muito aliviada por estar vestida, imaginou-se acordando nua em frente a Severo, seria terrível. Mais segura de si virou-se para seu marido e falou:

- Bom dia Severo, dormiu bem a noite? – o bruxo apesar de ter refreado seu desejo continuava afetado pela visão do corpo seminu da moça, tentando parecer normal falou sério engolindo saliva para garantir que a voz saísse:

 – Muito bem, obrigada, e eu acho que lhe prometi um banho se estou bem lembrado, depois nós poderíamos sair e dar um pulo em Hogwarts para ver se estão precisando de professor, o que lhe parece?

Hermione estranhou o fato de Severo ser tão direto, mas não disse nada a respeito apenas afirmou que achava boa ideia irem para a escola e que seria ótimo se ele conseguisse um emprego assegurando assim o sustento dos dois, quanto ao banho demonstrou sua ansiedade e ele disse – fique deitada e feixe os olhos.

Hermione obedeceu achando a brincadeira muito divertida. O bruxo levantou e fez o biombo se afastar da parede do canto o suficiente para ele conjurar uma tina de latão grande o suficiente para alguém se sentar dentro. Foi até sua sacola e pegou o sabão simples e um shampoo caseiro do tipo que um bruxo poderia ter na idade média, com um ou outro ingrediente a mais colocado por ele. Reservou próximo a tina e chamou a bruxa, ela abriu os olhos e foi ver o que ele tinha feito.

O sorriso que ela deu valeu o esforço e fez como que ele corasse suavemente, dando passagem a ela ele voltou para a cama se recostando e esperando que ela não demorasse muito por que também queria tomar banho e estava com fome.

Hermione entrou na água quente que ela havia colocado magicamente na tina, o cheiro de alfazema do sabão e o calor da água derreteram seus músculos como manteiga, relaxou e começou a pensar em sua vida, em como Severo estava diferente desde que haviam chegado ao passado, o bruxo estava aberto com ela e leve, a moça atribuiu a isso a sensação de liberdade que ele devia estar sentindo, visto que, tinha se livrado do fardo de seu passado, essa era uma nova chance e ela podia ver que ele estava levando a sério a coisa de recomeçar.

Na cama do quarto Severo olhava sua roupa e imaginando o que iria fazer como ela, uma coisa ele sabia ia ser preto. Queria ficar com boa aparência ele tinha que confessar a si mesmo que essa preocupação era fruto da conversa que tivera ontem com sua esposa. Ela achava que ele não se importava com isso o que até poderia ser verdade na época da guerra com todos aqueles problemas.

 No entanto agora ele queria que ela o achasse interessante. O que foi que ele tinha acabado de pensar? Ele estava querendo o que? Que ela o achasse interessante, o que estava acontecendo com ele, devia ser algum efeito dos hormônios despertados pela imagem da bruxa seminua, ele pensou, se não fosse isso ele estava em grande perigo de quebrar seu coração.

Acabando seu banho a bruxa saiu da água e se secou com um feitiço, sobre a cadeira estava sua roupa trouxa moderna, ela tinha que transfigurar em um vestido medieval e esperava que conseguisse algo bonito.

Pegou a camiseta e fez dele um vestido branco farto, tirou a idéia de um filme e de seu casaco, um longo vestido de lã vermelha que seria posto por cima do outro. Ele tinha pequenos buracos presos com fitas finas em laços nas mangas compridas para que pudesse ser visto o vestido de baixo e na lateral era amarrado por cordões trançados.

A roupa de baixo seria um problema, ela não fazia ideia de como seriam naquele tempo, por isso optou por manter sua lingerie moderna lançando somente um feitiço de limpeza. Transfigurou a calça jeans em uma meia calça de lã e vestiu o conjunto.

Prendeu o cabelo em um coque frouxo, tinha lido em algum lugar que na idade media mulheres casadas usavam o cabelo preso, como essa era sua situação agora ela o arrumou com cuidado e imaginou se estaria de acordo com a moda, queria ter um espelho, mas não tinha um no quarto, saiu de trás do biombo louca para mostrar sua criação para Severo, ela queria muito que ele a achasse bonita.

Severo a viu sair lentamente e parar a sua frente, ela estava tímida e andava devagar. A luz da janela fazia um alo de brilho em volta dela e ele achou que nem a perfeição poderia ser tão bonita e suave. O vestido de lã abraçava suas curvas lindamente a deixando graciosa, ela o olhava esperando que ele desse sua opinião. O que ele poderia dizer? Tinha medo de se entregar demais se a elogiasse, mas como podia negar a ansiedade nos olhos castanhos por uma palavra de aprovação dele? Teria que arriscar e sabia, se entrasse num jogo de sedução com a jovem teria que vencer, ou perderia tudo, inclusive sua alma.

- Você está linda Hermione – a voz grave de Severo saiu embargada pela sua emoção. Ele a olhava com admiração infinita.
Hermione ruborizou completamente, ela não achava que pudesse ficar tão sem graça assim e continuar de pé em frente aquele homem, mas ela ficou, não esperava uma reação tão efusiva dele, acho que no máximo fosse falar que ela estava adequada. Surpreendeu-se com a intensidade do olhar dele e em como sua voz soou ao elogia-la fazendo-a se arrepiar toda.

Precisando quebrar a magia perigosa que se formara naquele instante e para se proteger de suas próprias impressões, fez um gesto delicado indicou para ele o biombo.  – Sua vez.  

Ele agradeceu aos céus por poder se esconder atrás do biombo e fugir da imagem de Hermione ruborizada, era demais para a sua sanidade ele precisava de um tempo para se recuperar.

Depois que se banhou ele teve que arrumar sua roupa, duvidava que tivesse muita criatividade para se fazê-lo. Transfigurou sua calça em uma meia calça de lã como a que ele viu o homem em Hogwarts usando e o paletó em uma túnica que deveria parar pouco acima do joelho. Sua camisa perdeu os botões e ganhou no lugar um cordão, mas apenas até o meio do peito, ele a transfigurou numa espécie de bata  que tinha visto em um livro como sendo um modelo comum de camisa, sua capa de lã foi transfigurada em um manto grosso e espeço que deveria ficar jogado em suas costas e ser preso por um gancho que ele fez com uma caneta.

Seu cinto que estava nas calças virou um correão que era usado preso sobre a túnica, tudo preto, salvo a camisa que era branca, vestiu-se, arrumou o cabelo com a mão e passando a mesma sobre o rosto notou uma barba por fazer, resolveu deixar assim, pois todos os homens que tinha visto usavam barba, não queria ser diferente, não iria chegar a uma barba Dumbledore, de jeito nenhum! Mas um pouco de pelos no rosto seria adequado a sua aparência.

Saiu detrás do biombo sentindo a mesma vergonha que Hermione tinha passado a pouco, tentou manter a compostura erguendo muito o queixo em um desafio, olhou a bruxa e a viu sorri e com uma palma alegre falar:

 – Nossa! Você está muito diferente, ficou muito boa a roupa, está parecendo o cavaleiro negro de algum romance capa e espada. Severo não sabia se era elogio ou critica, olhou sério para ela e perguntou:

 – Escute, quero saber a sério se estou bem vestido ou serei motivo de riso, pode me dar sua opinião de uma forma que eu entenda.

Hermione ficou séria e levantou da cama, deu uma volta entorno do bruxo. A roupa tinha valorizado muito o corpo do homem. A capa de lã deixou-o com os ombros largos e deu um ar altivo, o correão marcou a cintura deixando em evidêcia a silhueta máscula clássica. A meia calça deixava ver que ele tinha pernas fortes e musculosas.

Os cabelos estavam lavados e jogados displicentemente para trás dando um ar revolto e perigoso em contraste com a tez branca e olhos negros.  Hermione engoliu sêco ao notar como ele estava sexy vestido daquele jeito. Tentando parecer superficial falou:

– Acho que vou ter que andar com a varinha em punho se quiser afastar as outras bruxas de você, - Severo a olhou com descrença, ao que ela respondeu com um sorriso – deixando as brincadeiras, você está muito bem vestido e ficou bonito assim com a barba por fazer, satisfeito?

Se ele não estava ela estava, não mentira para ele de forma alguma, no entanto não se sentia mais culpada por tê-lo acusado de não se importar com a aparência, se o resultado foi aquele, ela que não iria reclamar.

Severo sorriu tímido e com um aceno de cabeça aquiesceu, - acho que estamos prontos para Hogwarts. – ofereceu o braço a bruxa que aceitando falou: – vamos lá, mais antes podemos comer?

Severo riu – claro minha senhora, tudo que milady quiser.


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Nota da autora:

Olá gente, que bom voltar a escrever, estou muito contente mesmo, espero que estejam gostando dessa minha historinha e estejam se divertindo.

Por favor, postem um comentariozinho para mim!!! Só para eu saber que estão lendo, quem já escreveu uma fic sabe o trabalho que dá e é muito bom saber se estão gostando.

Nota 1: quando o Snape se refere a Hermione como Milady estou fazendo uma referencia aos romances capa e espada clássicos que se passam no período medieval.

Um abração

Leyla Poth
 




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