Euforia
Prinny tinha os olhos brilhando,
fazia muito tempo que não servia a um mestre, poder fazê-lo lhe dava grande
alegria. Severo tomava uma xícara de chá de seu café da manhã, o cheiro de bolo
de ervas e pão fresco era revigorante. Sua esposa o olhava com vontade de rir,
nunca imaginou que seu tão magro e sério ex-professor pudesse ser um admirador
da boa mesa. Depois de engolir mais um pedaço de bolo o bruxo se recostou na
cadeira e relaxou, a fome resolvida deu espaço em seu cérebro para uma duvida
se criar.
- Prinny, onde você conseguiu o
livro de magia que me deu de natal?
A pequena elfo cruzou as mãos
sobre o corpo meio nervosa. – Prinny pegou das coisas de bruxa da Duquesa.
Prinny tomou conta de tudo muito bem nesses anos todos.
- Onde ficam guardadas essas “coisas
de bruxa” Prinny, dentro dessa casa que não estão por que eu e Hermione já
reviramos tudo quando a arrumamos.
Prinny sorriu – estão aqui sim,
mas muito bem escondidas.
- Então Prinny me mostre onde
estão. – A elfo hesitou um pouco e percebendo Severo falou – É uma ordem.
A elfo estacou – Claro mestre,
Prinny leva senhor lá.
Com passos rápidos a pequena
criatura mágica se encaminhou para o corredor parando próximo a uma parede ao
lado da cozinha que deveria pertencer a lateral do banheiro, Colocou a mão
sobre esta e mexeu os dedinhos magros como se tocasse piano e a pedra foi se
dissolvendo e uma porta de madeira surgiu, a elfo a abriu dando passagem a Severo
e Hermione.
Era uma sala ampla e iluminada
por janelas mágicas, era obvio que todo o cômodo foi construído com magia.
Hermione não conteve uma exclamação ao perceber que as paredes eram cobertas de
livros e compêndios de pergaminhos perfilados, ela correu até uma das
prateleiras para ler as lombadas, notou que eram livros de magia de diferentes
temas, mas predominantemente eram livros sobre poções. Tão absorta que estava
que não percebeu Severo se aproximar também muito impressionado.
- Quando me falou que queria ser
mestre em poções eu lhe disse que era uma pena não possuirmos muitos livros,
agora, os temos de sobra, acredito até que com tantos você nem tenha mais tempo
para mim.
Hermione virou-se seria querendo
contradizê-lo, sempre teria tempo para ele, mas notou que o bruxo ria divertido
e resolveu brincar também – Por certo agora terei muito com o que me ocupar,
talvez me mude para cá, acho que você não ia se importar...
O bruxo bufou e a pegou pela
cintura firme a apertando contra o seu corpo – Nem pense nisso, se você se
mudar para cá pode ter certeza que eu venho junto, a capturo e a arrasto para o
nosso quarto só deixarei você sair de lá quando jurar que não vai me deixar
sozinho de novo.
Os olhos de Hermione procuraram
os de Severo, nas obsidianas ela viu a verdade do que ele, sem querer, dissera
brincando. O homem não queria ficar sozinho de novo, ela agora era a
companheira dele além de sua amante sua amiga, ela o amava e era correspondida.
Dentro daquele mundo hostil e solitário eles eram duas almas unidas pelo amor e
que nunca ficariam sós novamente por que nunca se separariam. Ela sentiu uma
lagrima doce descer por seu rosto. Severo que assistia o passar de sentimentos
pelos olhos de sua mulher secou a lagrima com a ponta do dedo. Ela escondeu o
rosto no peito dele falando.
- Nós nunca mais ficaremos
sozinhos, não enquanto tivermos um ao outro e o nosso amor. – Severo resfolegou
a apertando contra o peito e se deu conta que não era mais uma alma perdida,
tinha achado seu lugar.
Os passos rápidos da elfo pela
sala os despertaram do enlevo romântico em que estavam. O pequeno ser andava
rápido e chamava seus mestres.
- Prinny quer mostrar a mestre
uma coisa, vem mestre. – Severo ficou irritado com a intromissão da elfo, se
sentiu como sendo arrancado do paraíso para ser importunado, quase lançou uma
azaração na pobre criatura, se conteve imaginando o que Hermione acharia se ele
o fizesse provavelmente brigaria com ele, e o bruxo não queria se indispor com
a esposa de jeito nenhum.
Prinny já estava do outro lado da
sala, ela puxava um enorme lençol cinza de cima de alguma coisa, os bruxos se
aproximaram, Hermione estava curiosa e Severo intrigado.
Assim que o pano foi ao chão se
revelou para ambos um laboratório de poções igual, ou melhor, ao que o Snape
tinha em Hogwarts, o bruxo ficou de boca aberta, sentiu uma sensação de euforia
tomar conta de seu corpo, sentimento esse que foi aplacado por sua marcara de
indiferença, ninguém notaria, mas estava lá em seu peito, ele foi até a bancada
com um ar de pouco caso e passou a mão pelos frascos e caldeirões, tinha
vontade de gritar, mas nunca ia fazer isso, ele estava feliz como um menino na
noite de natal, no entanto ninguém ia saber.
Hermione notou nesse momento que
conhecia seu marido, ela viu nos olhos dele a alegria verdadeira que a mascara
escondia, ela pode sentir o animo e a energia do sentimento passar pelo corpo
de seu homem apesar da aparente frieza. Resolveu, talvez, só para expressar o
que via nele, demonstrar efusivamente sua alegria perante o achado.
- Olha que maravilha Severo!
Agora a gente vai poder fazer as poções sem se preocupar com o que as pessoas
podem ver ou não ver. Veja, tem prateleiras para os ingredientes, não teremos
mais que escondê-los na dispensa. – Severo concordou meio sem jeito perante a
espontaneidade com que ela falava. Agora ele sentia os braços dela em volta da
sua cintura enquanto ela continuava falando de como isso seria ótimo para ela
estudar e quantas novas possibilidades isso traria... Ele a olhou nos olhos, e
teve vontade de rir de si mesmo quando notou o brilho sagas que permeava os
orbes castanhos, tinha certeza que ela sabia que ele estava feliz.
Uma hora depois todos os
ingredientes já estavam em suas novas prateleiras. A elfo ensinou aos dois a
maneira de entrar na sala, batendo os dedos na parede em uma ordem determinada
com em uma musica num teclado de piano. Severo achou a coisa meio ridícula, no
entanto estava tão empolgado com a sala secreta, como ele a chamou, que deixou
isso para lá. Após concluir o trabalho se refestelou em uma das poltronas da
nova sala para começar a ler os livros, Hermione o acompanhou. Passaram toda a
manhã lendo e comentando um com o outro o que tinham achado. Antes de saírem
para almoçar Severo trouxe sua sacola do quarto e a colocou aberta no chão da
sala, com um aceno de varinha os seus livros que estavam quadrados dentro,
assim com alguns outros objetos mágicos e de preparar poções saíram voando indo
para onde ele determinou com o feitiço, tudo se organizou rápido e eficientemente.
A sacola agora só continha seu dinheiro bruxo, ele resolveu que a deixaria na
sala pendurada em um cabide por ser o lugar mais seguro da casa.
Depois do almoço Snape teve que
sair para atender mais algumas pessoas com gripe e Hermione foi se arrumar para
receber uma visita da duquesa, pediu a Prinny que preparasse chá, bolo e
biscoitos para a amiga. Elas tinham começado a ler juntas um romance de
cavalaria muito interessante que a duquesa achou em dois volumes iguais na
biblioteca do castelo, a bruxa, como lia muito rápido, já tinha terminado há
alguns dias e só agora a duquesa tinha conseguido dar fim ao seu, ela viria
hoje para que pudessem debater o livro e comentar o que mais tinham gostado,
Hermione estava ansiosa, pois gostava muito da amiga.
Pouco mais de uma da tarde a
duquesa chegou, mas não estava alegre e descompromissada como normalmente se
apresentava nessas visitas literárias, Abigail, ao contrario estava tensa e
assim que entrou tomou as mãos da amiga que a olhava apreensiva e a levou até o
sofá velho.
- Hermione minha querida, oh meu
Deus! Como estou preocupada com você!
A bruxa se assustou, será que
havia acontecido algo a Severo que estava na rua e a duquesa veio lhe contar? –
Mais nervosa do que já tinha se sentido na vida perguntou – O que ouve Abigail,
fale logo, algo com meu marido?
A duquesa apertou as mãos da
amiga. – De certa forma sim. – Hermione sentiu o mundo girar sobre seus pés
achou que ia desmaiar e se apoiou na amiga. – fala logo, o que aconteceu?
A duquesa ia começar quando a
porta se abriu e Severo entrou com a cara mal humorada de sempre, Hermione deu
um grito de alivio e se lançou para ele se jogando em seus braços. – Você está
bem meu amor. Graças a Deus! Achei por um instante que você estivesse... Oh!...
Severo não estava entendendo
nada, olhava para a esposa em seus braços tão abalada sem saber o que fazer, se
virou para a duquesa procurando respostas e a viu tão chocada quando ele.
- Hermione se acalme e me
explique o que houve.
- A duquesa me falou que estava
preocupada comigo e que tinha algo haver com você eu fiquei nervosa, achando
que tinha lhe ocorrido algo na rua. – ela falou ainda abraçada a ele.
A duquesa levou a mão à boca
assustada e pesarosa – Desculpe Hermione não era minha intenção assusta-la eu
realmente estou preocupada, mas não com a saúde do seu marido, mas com o que
pode acontecer com vocês por causa de algo que o padre me contou.
Assim que a mulher acabou de falar
Severo enrijeceu. Hermione o soltou e se virou para a amiga. – O que o padre
lhe contou?
- Ele falou que vocês são... -
Abaixou a voz meio constrangida, tapando a boca para que ninguém a ouvisse,
falou baixinho. – Amasiados. – Assim que terminou fez o sinal da cruz.
- Ele disse que nós somos o que?
- Perguntou Hermione que não tinha ouvido direito o que a duquesa tinha dito. A
mulher reinterou enrubescendo. – Amasiados, amigados como o povo diz. Que vocês
não se casaram enfrente a um sacerdote. – A duquesa estava tão vermelha que
Severo achou que ia lhe sair fumaça das orelhas, assim que acabou de falar
Abigail começou a se abanar com o livro tomada pela vergonha.
- Abigail, não fique assim. -
Hermione falou piedosa – nós nos casamos pela lei da Escócia, nosso casamento é
totalmente legal. – sorriu demonstrando uma confiança que não sentia, pois
sabia o quanto religiosas eram as pessoas medievais.
A duquesa começou a se recuperar.
– Vocês não entendem isso é muito serio, se uma coisa dessas cair na boca do
povo daqui você, minha amiga, não seria recebida na casa de ninguém até mesmo
eu teria que parar de vir aqui, não que eu me importe com isso, mas tenho uma
filha mulher, eu frequentar a sua casa a colocaria em desonra e tornaria
impossível arruma lhe um casamento quando chegasse a hora.
Hermione estava chocada para dizer
o mínimo, Severo se aproximou de sua esposa e pousou a mão em seu ombro dando
lhe apoio.
- Senhor Prince... – A duquesa
continuou. – Acredito que ame sua esposa. Sei que para o senhor pouco mudaria
se o fato fosse descoberto, ninguém ia lhe fechar as portas, mas para o bem de
sua mulher deve se casar com ela descentemente, imagine se tiverem filhos, eles
seriam bastardos, senhor, quer isso para eles? E essa casa, foi dada ao senhor
por meu marido, para sua família, se o senhor morresse hoje Hermione não teria
direito a nada, ela ficaria sem ter onde morar, por que ela não é sua esposa. –
a duquesa tinha firme convicção que eles não tinham casado na igreja por causa
do homem, ela já percebera que ele não gostava de ir à missa e sempre que podia
escapava das celebrações. A duquesa se sentia no dever, já que era amiga de
Hermione, de convencê-lo a fazer a coisa certa para a esposa.
Severo não sabia o que dizer, ele
não imaginava ser intimado a se casar com Hermione pela duquesa, entendia como
a mulher se sentia, e sabia como as pessoas poderiam ser cruéis por serem
preconceituosas. O que o incomodava de verdade era que ele não gostava de estar
sendo manipulado pelo padre, sim por que era isso que estava acontecendo, o
velho foi correndo contar para a duquesa que eles não eram casados na igreja
por que sabia exatamente o que a mulher ia fazer, e o velho conseguiu
direitinho coloca-lo com a faca no pescoço. Se eles achavam que o encurralaram
iam se decepcionar, afinal ele tinha vivido anos na mão de Dumbledore sendo
manipulado e enredado para não saber como isso funciona. Ia reverter a situação
a seu favor.
- Não sei por quem me tomas
senhora duquesa, já que nunca lhe dei motivos para desconfiar da minha honra.
Nunca disse que não me casaria na igreja com Hermione, na verdade eu me casaria
com ela todos os dias se isso fosse necessário, em todas as religiões do mundo,
pouco me importaria desde que ela fosse a noiva.
O bruxo virou Hermione de frente
para ele e a olhou serio, mas a bruxa pode ver um pequeno divertimento com a
situação no fundo dos olhos negros do homem, ele estava fazendo algo que a
duquesa não esperava, com certeza a mulher pensou que ele relutaria em se casar
tendo ela que insistir e talvez coagi-lo de alguma forma, aquela aceitação
fácil a baratinara. Severo piscou para Hermione e falou impostando a voz: –
Minha muito querida Hermione, é de seu desejo se tornar uma mulher honesta?
A bruxa segurou para não rir.
Tentou responder seria. Aquela formalidade medieval às vezes chegava a ser engraçada
apesar de as consequências serem serias.
Meu caro senhor ficaria muito
honrada em me tornar novamente sua esposa. – O bruxo sorriu para ela e se virou
para a duquesa com um certo ar de escárnio velado, pois não queria afrontar a
nobre. Qualquer tentativa morreu quando ele notou que a mulher estava
emocionada e enxugava os olhos com a ponta de um lencinho.
- Que coisa mais linda, que bom
que o senhor pensa assim senhor Prince, por favor, deixe-me contar o que
planejei para vocês. – O bruxo sorriu debochado para a mulher que nem notou de
tão empolgada que estava. – Domingo depois da missa venham almoçar no castelo
conosco, assim que chegarmos da celebração vamos diretamente para a capela
particular do duque e o padre casará vocês em segredo, ninguém precisa saber
que não eram casados anteriormente, eu e o duque seremos suas testemunhas e
tudo estará resolvido em poucos minutos. – A mulher se levantou do sofá e
abraçou Hermione. – Estou tão feliz por você minha amiga...
Assim que a duquesa saiu severo
xingou – Aquele padre filho de um Cérbero do inferno. Você percebeu com ele nos
manipulou, desgraçado, foi correndo contar para a duquesa só para nos obrigar a
casar sobre a tutela dele, cretino, se eu pudesse lançava um cruciatus bem nos
fundilhos dele, velho rabugento.
Hermione assistiu o surto de
revolta do Severo em silencio, sentindo uma dor estranha em seu peito. E quando
falou deixou transparecer em sua voz o tanto que estava chateada.
- Você está tão bravo assim por
ter que se casar comigo Severo? Então não precisa, eu não me importo com o que
vão falar, vou avisar a duquesa que não iremos nos casar.
Severo olhou-a assustado, ele
estava com raiva do padre e não de se casar, mais que depressa ele se levantou
e foi até ela. – você não entendeu, eu não estou com raiva de me casar com você
até por que já somos casados pela lei bruxa e isso é irreversível, só não gosto
de ser manipulado.
- Severo, você se casaria comigo
se tivesse escolha...
O bruxo ficou em silencio alguns
instantes, Hermione estava insegura da vontade dele de desposa-la ele tinha que
deixar claro a ela por mais difícil que fosse para ele falar de seus
sentimentos qual era seu desejo, para isso pegou a mão de sua bruxa, a levou
aos lábios e falou muito serio. – Hermione acabou de perceber que não posso me
casar com você. – Hermione ficou tensa, se ele a deixasse a culpa era dela, ela
tinha provocado, nunca se perdoaria. Ele continuou: – Não posso me casar com
você antes de fazer o pedido como deve ser feito. Eu sei que quando nos casamos,
nós não tínhamos essa intenção, dessa vez é diferente, quando eu disser que
quero me casar com você essa será a expressão do desejo do meu coração, e você
Hermione. Quer casar comigo?
A bruxa sentiu as pernas
tremerem, ela esperava uma resposta positiva dele, mas um pedido era além de
suas expectativas, ela tremia quando disse a resposta:
- Sim por que eu te amo.
Ele a puxou para um beijo doce
cheio de devoção e falou em seus lábios – eu te amo.
O domingo chegou trazendo uma
chuva fina e gelada, Hermione acordou cedo estava ansiosa pelo casamento, já
tinha olhado todo seu guarda roupa e não achou nada que gostaria de vestir em
seu casamento. Severo já estava pronto há muito tempo e ela ainda em roupa de
baixo olhava para seu parco suprimento de vestidos, na verdade sua melhor roupa
era a que ganhou de natal de Prinny, não queria usa-lo, no entanto por ser
muito bordado e inadequado para o dia. A lembrança do vestido a fez questionar
como a elfo tinha o conseguido, Hermione resolveu chama-la.
- Prinny, - falou com a elfo
mostrando o vestido bordado, - como conseguiu esse vestido?
- Tem vários deles lá na sala
secreta, eram da antiga mestra de Prinny. – Me mostra Prinny, eu sei que você
sabe que vou me casar hoje, será que lá tem algo que eu possa usar?
A elfo bateu palminhas alegres e
falou sorrindo. – Tem sim mestra, Prinny sabe do vestido perfeito. A elfo
desapareceu e voltou em poucos minutos, em seus braços um lindo vestido cor de
perola rosado, bem bordado com o outro mais muito mais discreto, sobre o peito
uma renda fina e delicada e para a cabeça um véu suave bordado como uma mantilha.
Hermione achou que ainda era demais, falou com Prinny se tinha outro mais
simples.
- Mestra só se casa uma vez na
vida, e quando se casa por amor Prinny acha que se tem que festejar. Mestra vai
ficar tão linda nesse vestido. Experimente!
Hermione não resistiu e colocou o
vestido e a mantilha, ficou perfeito, era como ela queria ficar em seu
casamento, ela resolveu que seria assim que iria, Dane-se que ficasse muito
chamativo, em todo caso colocou a capa preta que Severo lhe trouxe de Londres
por cima e a fechou sobre o vestido, sentiu um arrepio ao pensar na surpresa de
Severo ao vê-la vestida daquele jeito, ela tomou a decisão que só ia deixa-lo
ver a roupa na hora da cerimônia por supertição para dar sorte e talvez por um
pouco de vaidade feminina em querer ver-lhe a admiração nos olhos.
Partiram para a igreja, Severo
tentou tirar a capa de Hermione quando entraram no templo, ela não deixou. –
Não deve ver o vestido da noiva antes do casamento. – o bruxo que estava com as
mãos sobre os ombros da capa as soltou na hora, assentiu com um aceno de cabeça
e a ajudou a sentar, ambos ficaram no ultimo banco perto da saída.
Severo achou que o padre o estava
torturando, essa com certeza era a mais longa missa já presenciada por ele, o
celebrante não terminava nunca o sermão, e o tema era o pecado da carne e como
a desonra se abatia sobre aqueles que se entregavam fora do casamento.
A missa acabou depois de uma
eternidade, e eles partiram para o castelo. A duquesa os recebeu a porta e
levou Hermione para outra sala, o duque se encarregou de levar Severo para a
capela, lá já os aguardava o padre em seus paramentos parado no altar.
Pouco depois Hermione e a duquesa
entraram juntas na capela, Severo resfolegou ao vê-la, como ela estava linda,
sobre a mantilha a duquesa tinha posto uma Guirlanda de flores do campo e dado um
buquê das mesmas nas mãos da sua bruxa, ela estava parecendo uma ninfa ou fada,
ele teve certeza de ser um homem de muita sorte.
O casamento foi muito rápido e
logo os dois casais saíram da capela. Severo estava emocionado, e segurava o
braço de Hermione com força, quando a ouviu dizer que o aceitava teve que se
segurar para não deixar cair uma lagrima.
Hermione estava feliz, ela
percebia a forma como Severo a conduzia e sentiu a emoção dele, esse era o dia
mais feliz de sua vida.
O jantar não tinha gosto de nada
para Severo e ele era incapaz de distinguir qualquer um dos pratos tamanho seu
estremecimento emocional, ele queria ir para casa com Hermione o mais rápido
possível e fazer amor com ela até amanhecer.
O duque estava se levantando da
mesa, Severo esperava com ansiedade esse momento para poder sair, era questão
de minutos agora, começou a medir os riscos de aparatar com sua bruxa ao invés
de esperar a carruagem.
Todos já estavam de pé quando um
dos cavalheiros que tomava conta da muralha entrou correndo no salão e gritou:
- Sua graça, os vikings, senhor, eles
estão nos atacando, lançaram flecha e uma delas tinha uma mensagem que nos
ameaçava, ou nos rendemos ou eles invadem o castelo e acabarão com nossas
vidas. Senhor o que vamos fazer?
O duque, pego de surpresa,
estacou em pé próximo a mesa. A tensão que a revelação trouxe era palpável, as
pessoas estavam visivelmente apavoradas. Hermione não era diferente ela se
aproximou de Severo que percebendo como ela se sentia a abraçou a trazendo-a
para mais perto de si.
Sir Alister se aproximou do duque
e juntos se retiraram para um canto, certamente estavam discutindo o que fazer,
pelo menos foi o que Severo pensou. Ninguém se atrevia a falar uma palavra, o
antes barulhento salão agora jazia em silencio sepulcral.
Não demorou muito para que o
duque voltasse e falasse a todos:
- Não iremos nos entregar, o
castelo é inexpugnável, todos estarão seguros aqui dentro, sir Alister sugere,
e eu concordo com ele, que devemos fazer uma força de guerra e ir atacar os vikings
de surpresa, eles não esperam uma ofensiva, nós temos muitos homens fortes na
vila, e bons cavalheiros treinados, podemos dar a eles uma lição para que nunca
mais tentem saquear o castelo ou nossa vila. Nós venceremos esses bandidos pagãos
em nome de Deus!
A voz do duque ecoou pelo salão silente,
e foi seguida de um turbilhão de gritos eufóricos de viva e os homens presente
começaram a brandir suas espadas e facas. Hermione agarrou a roupa de Severo,
seu corpo todo temendo olhou para ele e viu em seus olhos a resposta que era
seu maior temor. Tentando evitar o obvio falo baixo para ele – Vamos embora
daqui, para Londres, por favor, diga que vamos embora.
Severo lançou a ela um arremedo
de sorriso, ela teve certeza nesse momento que seu marido não pensava em fugir,
ele não faria uma coisa dessas, ele nunca fora uma covarde. Lagrimas de
desespero burilaram em seus olhos, para que elas não descessem em sua face ela
afundou o rosto no peito de Severo. Do pranto de sua mulher ele sentiu apenas
um sutil tremor em sua respiração, ele sabia que ela estava com medo, toda via,
aquelas pessoas os haviam acolhido e confiado neles, não podia fugir e
deixa-los a própria sorte, mesmo não podendo lutar como um bruxo seria útil no
campo de batalha como medico e se preciso como soldado. Hermione soluçava em
seus braços como um bichinho abandonado o que partia seu coração. Em um gemido
ele a ouviu o chamar.
- Severo... – sua voz estava
visivelmente rouca pelo choro contido. – Volte vivo, jure para mim que você vai
voltar vivo, já lhe vi a morte uma vez e não quero passar por isso de novo.
Jure.
- Farei tudo que puder, eu quero
voltar vivo, tenho um bom motivo para voltar. – ele lhe beijou os cabelos e a
apertou contra o peito, ele pedia com fervor ao destino que ele voltasse para
os braços dela.
A partir daquele momento as coisas
se tornaram frenéticas dentro das muralhas do castelo. Cavalos e armas sendo
distribuídos, todos os homens com condição de segurar uma espada foram
chamados. Enquanto Severo arrumava sua bolsa com todas as poções e ataduras que
pode duplicar ou preparar, dentre essas o vidro de Felix Felicis. Hermione
olhava a vila de sua janela, de lá via mães aos prantos vendo seus filhos irem
para a guerra, esposas tão desesperadas quando ela mesma e crianças que em sua
inocência pegavam gravetos e brincavam de lutar contra os vikings. Foi decidido
que eles partiriam ao entardecer pouco depois das quatro horas o duque chegou e
Severo veio atendê-lo.
- Senhor Prince, gostaria de
saber se o senhor tem alguma experiência com a guerra, sabe usar uma arma? –
Severo não sabia como responder, ele passou toda a sua vida enfiado em uma
guerra sem fim e terrível, mas nunca usara armas trouxas.
- Eu passei minha vida em meio à
guerra, de onde eu e minha esposa viemos uma terrível batalha tinha acabado, mas
eu sempre trabalhei como medico e não como cavalheiro. O Duque pousou a mão
sobre o ombro de Severo e falou:
- Será muito útil como medico,
mas esteja preparado para qualquer coisa, os vikings tem fama de serem
terríveis. – Severo assentiu. – o duque pegou um cinturão com uma espada longa
presa a ele e deu a Snape que a pegou e a ficou olhando meio desolado. O duque
bateu a mão em seu ombro novamente e falou dessa vez para Hermione – A senhora
deve ir para o castelo ficar junto com minha família, lá é bem mais seguro
ficara protegida. Severo agradeceu ao duque.
Na hora de irem para o castelo
Severo pegou a guirlanda de flores que Hermione usou no casamento e a recolocou
sobre o cabelo de sua esposa. – Quero lembrar-me de você com ela quando eu
estiver longe. – Hermione a ajeito na cabeça e segurou para não chorar.
Antes de saírem Hermione chamou
Prinny:
- Você deve ficar na sala
secreta, se eu precisar de você a chamarei, não se arrisque e se por acaso a
casa for invadida vá a meu encontro invisível entendeu.
A elfo fez que sim e foi para seu
esconderijo.
Hermione e Severo chegaram ao
castelo do duque, os homens já estavam perfilados no portão aguardando a ordem
de partida, Suas esposas filhos e filhas se despediam deles em uma cena
desoladora. Um cavalariço se aproximou de Snape com um lindo garanhão negro que
se fosse em outra ocasião fariam os olhos negros de Severo brilharem, agora era
só a lembrança do perigo que o rondava.
A realidade se abateu sobre ele
quando ouviu o discurso do duque conclamando os homens a batalha, ele falava de
gloria e vitoria, mas Severo escutava morte de desgraça, ele percebeu que
estava farto daquilo tudo, que o sabor da batalha a muito já tinha abandonado
seu paladar e que a sensação antes entorpecente de estar a um passo para a
morte agora lhe era horrível e dolorosa, ele tinha sonhado passar essa noite
fazendo amor com sua esposa, e o destino lhe oferecia um banho de sangue, talvez
de todos aqueles homens ele fosse o mais experiente em batalhas, talvez em suas
costas pesassem muito mais mortes, mortes suficientes para que euforia de uma
batalha não lhe causasse nada além de náuseas. Ele vestia uma capa preta grossa
de lã, tinha um capuz que ele jogou sobre a cabeça para lhe proteger da chuva
que caia cada vez mais insistente.
Hermione estava ao lado dele e a
figura encapuzada envolto em vestes negras lembrava muito um comensal da morte,
um arrepio correu por sua espinha, Severo viu o temor nos olhos de sua esposa,
ela tinha medo dele vestido daquele jeito, ele a puxou para perto e olhou nos
olhos dela, a sentiu relaxar e a beijou tranquilizando-a ela se jogou nos
braços dele e assim eles ficaram até que o duque anunciou a partida, Snape se
soltou da mulher e montou o cavalo, olhou para traz uma ultima vez antes de partir
para se unir ao duque, ele não se despediram com palavras, os sentimentos que
ambos tinham não podiam ser transmitidos pela fala. A chuva começou a se
intensificar como uma ajuda piedosa para que as lagrimas de todas as mulheres
que ficaram para trás se perdessem fazendo com que a ultima imagem que seus
homens tiveram delas parecesse mais valente do que na verdade era.
A dor de Hermione era quase insuportável, ela
ficou em pé em frente a porta do castelo vendo os homens se distanciarem, seus
olhos turvos de lagrimas, o barro levantado pelos cavalos e a chuva que caia
impiedosa deixaram a barra de seu vestido suja, ela levou a mão a cabeça
arrancando a guirlanda, a deixou cair no chão, era a segunda vez que sua vida era
trespassada por uma guerra, na primeira vez podia ter perdido a vida, nessa se
arriscava a perder sua razão de viver.
Notas da autora:
Olá gente, mais um cap entregue,
coitada da Mione... Vai esperar até eu escrever o próximo cap para rever o Severo,
kkkk
Muito obrigada a todos que
comentaram, fiquei muito feliz!!!! Espero que gostem do capítulo e deixem mais comentários
e me façam sorrir!!
Leyla

5 comentários:
amei ainda bem q vc compriu sua promessa estou ansiosa pelo proxima capitulo
Maravilhoso!
Gente tadinhos... sempre uma guerra pra ferrar td.
Parabéns Ley! vc é d+!
bjss
Oi,oi.Primeira vez comentando... acompanho a fic, mas agora criei coragem para dizer algo. E depois de um capítulo desse não tem jeito. Tô sem ar pela Mione. Deve ser desesperante ver o amor partir assim para uma guerra sangrenta e terrível, espero que ele volte bem e sem arranhão algum!
Linda a parte do pedido de casamento. Irresistível! A história fica a cada capítulo mais incrível!!
Espero por mais!!! *-----*
Comecei a ler sua história hoje de madrugada e desde então não consegui parar... Ela é perfeita. Sério. Amo histórias de época... E sua é mais do que de mais.
Besitos,
Karol. :*
adorei a fic sao meus personagens favoritos ......... post logos o proximo capitulo beijocasssssssssss ana p
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